No último sábado (29), aconteceu no teatro municipal Elias Angeloni, a palestra “Vamos dizer não a medicalização na primeira infância”, com a doutora em Educação Escolar, Marilda Gonçalves Dias Facci. O evento em parceria Faculdades Esucri e Afasc, reuniu mais de 700 educadores da rede municipal de ensino e falou na importância, cuidados e riscos da medicalização sem supervisão de um médico, além de apresentar números alarmantes do uso de medicamentos controlados em crianças de 0 a 5 anos.
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Saiba mais sobre a psicologia e a medicalização na educação:
A psicologia nos últimos anos vem mobilizando discussões a respeito da medicalização da vida e da educação. Entende-se por medicalização a redução de situações complexas da vida decorridas de questões sociais, culturais e históricas a um determinismo orgânico, ou seja, o indivíduo por não se adaptar as padronizações sociais passa a ser visto por aqueles que o cercam como alguém “doente”.
O comportamento e a aprendizagem da criança têm sido alvo preferencial da medicalização. Por isso é importante compreender que medicalização não é o ato de medicar, mas compreender as atitudes, os comportamentos considerados fora do padrão a partir de uma explicação biologizante, ou seja, como um “defeito” natural do próprio do indivíduo.
O uso de medicamentos por um período extenso, pode trazer danos à saúde da criança, uma possível dependência a medicação, além de outras afetações físicas ou psicológicas, como uma dependência social de remédios para que o indivíduo se mantenha controlado e comportado. Desta forma possibilitando a uma rotulação da sociedade frente à criança e ao preconceito nos diversos contextos sociais que ela estará inserida.
É por estas e outras consequências que se faz relevante a realização do diagnóstico por equipes multidisciplinares orientando família e escola visando evitar as possíveis consequências na vida da criança.